Por: Dra. Roberta Cristine Suetugo – Oftalmologista (CRM 32110)
Sensação de areia nos olhos, ardência, vermelhidão, lacrimejamento e visão oscilando ao longo do dia são queixas muito frequentes, especialmente em quem passa muitas horas em telas, ambientes com ar-condicionado ou baixa umidade. Em muitos casos, esses sinais podem estar associados à síndrome do olho seco.
Neste artigo, você vai entender o que é olho seco, sintomas mais comuns, causas e fatores de risco, cuidados seguros no dia a dia e, principalmente, quando procurar avaliação com oftalmologista.
Importante: este conteúdo é informativo e não substitui consulta. Não utilize colírios por conta própria sem orientação.
O que é olho seco (explicação simples)
O olho precisa de uma camada de lágrima saudável para manter conforto, proteger a superfície ocular e garantir boa visão.
No olho seco, pode acontecer:
- produção insuficiente de lágrima, e/ou
- evaporação excessiva da lágrima (muito comum com telas e ar-condicionado), e/ou
- alterações na qualidade do filme lacrimal.
O resultado é irritação e instabilidade visual.
Sintomas comuns de olho seco
Os sintomas podem variar de intensidade e oscilar ao longo do dia:
- ardência, queimação ou sensação de areia
- vermelhidão
- coceira e desconforto
- lacrimejamento (sim: pode ocorrer como resposta à irritação)
- sensibilidade à luz
- visão embaçada/“oscilando”, principalmente ao usar telas
- sensação de peso nas pálpebras
Se você se identifica com esses sintomas, vale investigar a causa.
Principais causas e fatores de risco
Alguns fatores comuns:
- uso prolongado de telas (reduz a frequência de piscar)
- ar-condicionado, vento, baixa umidade
- lente de contato (em alguns casos)
- idade e alterações hormonais
- blefarite/disfunção das glândulas das pálpebras
- algumas medicações (varia conforme o caso)
- doenças sistêmicas associadas (quando presentes)
Muitas vezes, é uma combinação de fatores — por isso a avaliação é importante.
O que pode ajudar no dia a dia (cuidados seguros)
Algumas medidas comportamentais podem reduzir o desconforto:
1) Regra do 20-20-20 (telas)
A cada 20 minutos, olhe por 20 segundos para algo a 6 metros (20 pés), para aliviar a fadiga ocular.
2) Piscar com intenção
Durante o uso de computador/celular, tendemos a piscar menos. Lembrar de piscar ajuda a espalhar a lágrima.
3) Ambiente
- reduzir fluxo direto de ar-condicionado/ventilador no rosto
- considerar umidificação do ambiente (quando possível)
4) Higiene palpebral (quando indicada)
Em alguns casos, cuidados com as pálpebras podem ajudar, principalmente quando há inflamação/oleosidade.
Observação: colírios e tratamentos devem ser orientados pelo oftalmologista, pois há diferentes tipos e causas de olho seco.
Quando procurar o oftalmologista (sinais de alerta)
Procure avaliação se:
- os sintomas são frequentes ou persistentes
- há piora progressiva
- há dor ocular importante
- há secreção, sensibilidade intensa à luz ou queda de visão
- você usa lente de contato e começou desconforto
- você já tentou medidas simples e não melhorou
Avaliação adequada evita uso inadequado de colírios e identifica a causa correta.
Perguntas frequentes (FAQ)
Olho seco pode causar visão embaçada?
Sim. O filme lacrimal instável pode causar visão oscilante, principalmente em telas.
Lacrimejar muito pode ser olho seco?
Pode. O lacrimejamento pode ser uma resposta reflexa à irritação.
Posso usar colírio por conta própria?
Não é recomendado. Existem diferentes colírios, e alguns podem piorar o quadro dependendo do uso.
Telas pioram olho seco?
Com frequência, sim principalmente por reduzir o piscar e aumentar evaporação da lágrima.
O olho seco tem cura?
Muitos casos são controláveis com abordagem correta e acompanhamento, variando conforme a causa.
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Dra. Roberta Cristine Suetugo – Oftalmologista (CRM 32110)
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Sobre a autora
Dra. Roberta Cristine Suetugo (CRM 32110) — Oftalmologista
- Graduação em Medicina pela Universidade Positivo (2013)
- Residência em Oftalmologia pela Universidade Estadual de Londrina (2016)
- Treinamento em Medicina Regenerativa e Biomateriais — Universidade Nacional de Yokohama (Japão, 2017)
- Título de Especialista em Oftalmologia
- Membro Titular da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO)
Referências
- National Eye Institute (NEI) — Dry Eye
https://www.nei.nih.gov/learn-about-eye-health/eye-conditions-and-diseases/dry-eye - American Academy of Ophthalmology (AAO) — Dry Eye
https://www.aao.org/eye-health/diseases/dry-eye - Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO)
https://www.sboportal.org.br/