Câncer de mama e saúde mental: quando o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico pode ajudar

Receber um diagnóstico de câncer de mama pode transformar a rotina em pouco tempo.

De repente, surgem consultas, exames, decisões sobre tratamento, mudanças na agenda e muitas informações para assimilar.

Ao mesmo tempo, existe uma parte dessa experiência que nem sempre aparece nos exames.

Como a paciente está emocionalmente?

Medo, ansiedade, insegurança, tristeza, preocupação com o futuro, mudanças na autoestima e dificuldade para descansar podem surgir em diferentes momentos.

Isso não significa necessariamente que exista um transtorno psiquiátrico.

Significa que a pessoa está atravessando uma experiência importante e que sua saúde emocional também merece atenção.

Neste artigo, a Dra. Dayla Abss Rondon, Médica Psiquiatra CRM 37562/PR- RQE N.: 21656, explica quando o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico pode fazer parte desse cuidado.

É normal sentir medo e ansiedade depois do diagnóstico?

Sim.

Receber um diagnóstico de câncer pode gerar uma série de preocupações.

A paciente pode pensar sobre o tratamento, a família, o trabalho, mudanças no corpo e o futuro.

Além disso, o próprio início da quimioterapia ou de outros tratamentos pode ser acompanhado por insegurança diante do desconhecido.

Uma cartilha do INCA voltada a mulheres em tratamento quimioterápico destaca que informação, acolhimento e preparação podem ajudar a reduzir ansiedade e estresse, principalmente quando a pessoa está diante de algo novo.

Por isso, sentir medo ou ansiedade em determinados momentos pode fazer parte da experiência.

O ponto de atenção está na intensidade, duração e impacto que essas emoções passam a ter na vida cotidiana.

Nem todo sofrimento emocional significa transtorno mental

Esse é um ponto muito importante.

Tristeza, medo, choro, preocupação ou insegurança podem surgir diante de uma situação difícil sem que isso represente necessariamente depressão ou transtorno de ansiedade.

Por isso, não é adequado transformar cada emoção em diagnóstico.

A avaliação profissional considera:

  • intensidade dos sintomas;
  • duração;
  • impacto na rotina;
  • qualidade do sono;
  • alimentação;
  • concentração;
  • relações;
  • capacidade de realizar atividades diárias;
  • histórico de saúde mental.

O objetivo é compreender aquilo que a paciente está vivendo dentro do seu contexto.

Quando o acompanhamento psicológico pode ajudar?

O acompanhamento psicológico pode ser útil em diferentes fases.

Não é necessário esperar uma crise.

A Psicologia pode oferecer espaço para trabalhar questões como:

  • medo do tratamento;
  • preocupação com o futuro;
  • mudanças na autoestima;
  • alterações na imagem corporal;
  • relações familiares;
  • dificuldades no relacionamento;
  • sexualidade;
  • mudanças na rotina;
  • retorno ao trabalho;
  • adaptação a uma nova fase da vida.

Em muitos casos, falar sobre aquilo que está acontecendo ajuda a organizar pensamentos e emoções.

O INCA inclui o psicólogo entre os profissionais que podem fazer parte da equipe multidisciplinar especializada no cuidado do câncer de mama.

Quando uma avaliação psiquiátrica pode ser importante?

A Psiquiatria pode ser considerada quando as alterações emocionais estão mais intensas, persistentes ou interferindo significativamente no funcionamento da paciente.

Por exemplo:

  • ansiedade intensa;
  • dificuldade importante para dormir;
  • tristeza persistente;
  • perda de interesse em atividades;
  • dificuldade de concentração;
  • alterações relevantes de apetite;
  • crises de ansiedade;
  • sofrimento emocional que compromete a rotina;
  • dificuldade de adaptação ao tratamento;
  • piora de um transtorno de saúde mental já existente.

A consulta psiquiátrica permite uma avaliação médica individualizada.

Procurar um psiquiatra significa que vou precisar tomar medicamento?

Não.

A consulta psiquiátrica não começa pela prescrição de um medicamento.

Ela começa pela avaliação.

A psiquiatra procura compreender:

  • o que a paciente está sentindo;
  • há quanto tempo;
  • intensidade;
  • impacto na vida;
  • histórico de saúde mental;
  • tratamento oncológico em andamento;
  • medicamentos utilizados;
  • qualidade do sono;
  • presença de outras condições de saúde.

Depois dessa avaliação, a conduta é definida individualmente.

Em algumas situações, pode haver indicação de medicamento.

Em outras, pode ser mais adequado acompanhamento psicológico, orientação, acompanhamento conjunto ou simplesmente observação clínica.

E quando existe necessidade de medicação?

Quando o tratamento medicamentoso é considerado, a avaliação precisa ser cuidadosa.

A paciente pode estar utilizando medicamentos oncológicos ou outros tratamentos.

Por isso, o psiquiatra precisa conhecer:

  • quais medicamentos estão sendo utilizados;
  • doses;
  • histórico clínico;
  • tratamentos atuais;
  • efeitos percebidos;
  • demais profissionais envolvidos no cuidado.

A integração entre os profissionais é especialmente importante nesse contexto.

Psicólogo e psiquiatra fazem a mesma coisa?

Não.

São áreas diferentes, mas podem trabalhar juntas.

Psicologia

O psicólogo atua principalmente por meio da psicoterapia e de outras técnicas psicológicas.

O trabalho pode envolver:

  • escuta;
  • elaboração emocional;
  • adaptação;
  • autoestima;
  • relacionamentos;
  • enfrentamento de mudanças;
  • compreensão de sentimentos e padrões.

Psiquiatria

O psiquiatra é médico.

Durante a avaliação, considera aspectos emocionais, comportamentais e físicos, além do histórico clínico.

Quando necessário, pode indicar tratamento medicamentoso e acompanhar sua evolução.

Em alguns casos, a paciente pode fazer apenas Psicologia.

Em outros, apenas acompanhamento psiquiátrico.

Também pode haver acompanhamento conjunto.

É preciso esperar chegar ao limite para procurar ajuda?

Não.

Essa é uma das ideias mais importantes deste artigo.

Muitas pessoas acreditam que só devem procurar ajuda quando não conseguem mais lidar com a situação.

Porém, o cuidado com a saúde mental pode começar antes.

A paciente pode procurar acompanhamento porque percebe que:

  • está pensando demais no tratamento;
  • está dormindo pior;
  • está mais irritada;
  • sente dificuldade de conversar sobre aquilo que está vivendo;
  • está evitando pessoas;
  • sente medo constantemente;
  • percebe mudanças importantes na autoestima;
  • simplesmente gostaria de ter um espaço profissional para falar.

Procurar ajuda cedo não significa exagerar.

Significa reconhecer que o cuidado emocional também faz parte da saúde.

A quimioterapia pode aumentar estresse e ansiedade?

O tratamento quimioterápico pode ser acompanhado por dúvidas, expectativas e mudanças na rotina.

O INCA relata que mulheres em quimioterapia podem apresentar preocupações relacionadas ao futuro, autoimagem, ansiedade e estresse.

Além disso, efeitos físicos do tratamento podem repercutir emocionalmente.

Por isso, a comunicação com a equipe de saúde é importante.

Quanto mais clara a paciente estiver sobre o tratamento, maior a possibilidade de se sentir orientada e participar ativamente das decisões.

Autoestima também faz parte da saúde mental

O câncer de mama pode modificar a relação da mulher com o próprio corpo.

Cirurgias, cicatrizes, alterações de cabelo, peso, pele ou outras mudanças podem afetar a autoimagem.

Essa experiência não deve ser reduzida a uma questão estética.

A imagem corporal está relacionada à identidade, sexualidade e à forma como a pessoa se reconhece.

O INCA também aborda autoestima e qualidade de vida como aspectos relevantes durante o tratamento do câncer de mama.

E depois que o tratamento termina?

O fim de uma etapa de tratamento pode trazer alívio.

Porém, nem sempre significa que todas as preocupações desaparecem imediatamente.

Algumas pessoas podem continuar lidando com:

  • medo de novos exames;
  • preocupação com retorno da doença;
  • mudanças corporais;
  • retorno ao trabalho;
  • reorganização da rotina;
  • impacto nos relacionamentos;
  • dificuldade de retomar planos.

Por isso, o cuidado emocional pode continuar sendo importante mesmo depois do tratamento ativo.

Saúde mental também faz parte do cuidado integral

O câncer de mama é uma condição que exige acompanhamento de diferentes profissionais.

O próprio INCA recomenda abordagem multidisciplinar especializada, incluindo suporte psicológico dentro do cuidado.

Isso reforça uma ideia importante:

cuidar da saúde mental não é algo separado do tratamento.

É uma parte do cuidado com a pessoa.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. É normal sentir ansiedade durante o tratamento do câncer de mama?

Sim. Ansiedade e preocupação podem aparecer em diferentes momentos. Quando são muito intensas, persistentes ou começam a interferir na rotina, vale conversar com um profissional.

2. Preciso fazer terapia se estiver em tratamento de câncer?

Não existe uma obrigatoriedade. Porém, a psicoterapia pode ser útil quando a paciente deseja apoio para lidar com emoções, mudanças, autoestima, relacionamentos ou adaptação.

3. Quando procurar um psiquiatra?

Uma avaliação psiquiátrica pode ser considerada quando há sofrimento emocional intenso ou persistente, alterações importantes no sono, humor, ansiedade ou funcionamento cotidiano.

4. Psiquiatra sempre prescreve remédio?

Não. A consulta psiquiátrica começa pela avaliação. A indicação de medicamento depende do caso.

5. Psicólogo e psiquiatra podem trabalhar juntos?

Sim. As áreas são diferentes e podem atuar de forma complementar quando necessário.

6. Posso procurar ajuda mesmo sem estar em crise?

Sim. Não é preciso esperar o sofrimento se tornar extremo.

7. Saúde mental influencia o tratamento?

A saúde emocional faz parte da qualidade de vida e da forma como a pessoa vive o tratamento. O acompanhamento profissional pode ajudar no manejo do sofrimento e na adaptação a essa fase, mas não substitui o tratamento oncológico.

Cuidar da mente também faz parte do tratamento

O Outubro Rosa chama atenção para prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer de mama.

Mas também pode abrir espaço para falar sobre aquilo que não aparece em um exame.

O medo.

A ansiedade.

A autoestima.

O sono.

As relações.

A forma como a paciente está vivendo tudo isso.

Nem toda mulher precisará de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

Mas, quando existe necessidade, procurar ajuda pode fazer parte de um cuidado mais completo.

Agende uma consulta com:

Dra. Dayla Abss Rondon, Médica Psiquiatra CRM 37562/PR- RQE N.: 21656

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Sobre a profissional

Dra. Dayla Abss Rondon

Médica Psiquiatra CRM 37562/PR- RQE N.: 21656

Formada em Medicina pela Universidade Federal da Grande Dourados, entre 2001 e 2006.

Formação médica em Psiquiatria pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, concluída em 2013.

Atua como Preceptora do Programa de Residência Médica em Psiquiatria da Prefeitura de São José dos Pinhais.

Atendimento em Psiquiatria na CECLIN.

Referências utilizadas na produção do conteúdo

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