Quando alguém próximo recebe um diagnóstico de câncer de mama, é comum surgir uma pergunta:
Como posso ajudar?
A vontade de estar presente pode vir acompanhada de medo de falar algo inadequado, dúvida sobre até onde se envolver ou sensação de não saber o que fazer.
A boa notícia é que apoio não significa ter todas as respostas.
Muitas vezes, uma rede de apoio verdadeira se constrói por meio de gestos simples, presença, escuta, respeito e ajuda prática.
Familiares e amigos podem ter um papel importante durante o tratamento, oferecendo suporte emocional e contribuindo com tarefas do dia a dia, consultas, transporte e organização da rotina.
O que significa ser uma rede de apoio?
Ser rede de apoio é estar disponível de uma maneira que respeite aquilo que a pessoa realmente precisa.
Isso pode significar:
- ouvir;
- acompanhar uma consulta;
- ajudar com uma refeição;
- buscar os filhos na escola;
- oferecer transporte;
- organizar alguma tarefa doméstica;
- estar presente em silêncio;
- respeitar quando a pessoa prefere ficar sozinha;
- ajudar sem retirar sua autonomia.
Não existe uma única forma correta de apoiar.
Cada pessoa vive o diagnóstico e o tratamento de maneira diferente.
Por isso, perguntar diretamente “O que seria útil para você agora?” costuma ser mais cuidadoso do que presumir aquilo de que ela precisa.
Escutar pode ser mais importante do que aconselhar
Diante de uma situação difícil, é comum sentirmos que precisamos encontrar alguma frase que faça a outra pessoa se sentir melhor.
Porém, nem sempre existe algo a ser resolvido naquele momento.
Às vezes, o que a pessoa precisa é simplesmente falar e sentir que alguém está disposto a ouvir.
Você não precisa interromper o silêncio.
Não precisa comparar com a experiência de outra pessoa.
Também não precisa encontrar imediatamente um lado positivo para aquilo que está acontecendo.
Escutar com atenção pode comunicar:
“Eu estou aqui.”
E isso pode ser muito importante.
Pergunte antes de oferecer soluções
Uma pessoa em tratamento pode receber muitas opiniões.
Amigos, familiares e conhecidos podem sugerir dietas, tratamentos, médicos, suplementos ou histórias de outras pessoas que tiveram câncer.
Mesmo quando a intenção é boa, esse excesso de informações pode se tornar cansativo.
Por isso, antes de encaminhar uma informação ou sugerir alguma coisa, pergunte:
“Você gostaria que eu pesquisasse isso?”
“Quer conversar sobre esse assunto?”
“Posso te ajudar de alguma forma?”
As decisões relacionadas ao tratamento devem ser discutidas com a equipe de saúde responsável.
O papel da rede de apoio é acompanhar, não substituir profissionais ou decidir pela paciente.
Ajuda prática também é cuidado
Uma das formas mais concretas de apoio pode estar nas pequenas tarefas.
O tratamento pode alterar temporariamente a rotina e a disposição para atividades que antes eram simples.
Por isso, ajuda prática pode envolver:
- preparar ou levar uma refeição;
- acompanhar consultas, quando a paciente desejar;
- oferecer transporte;
- ajudar com compras;
- cuidar de tarefas domésticas;
- organizar medicamentos conforme orientação da equipe de saúde;
- ajudar com crianças, idosos ou animais de estimação;
- resolver alguma tarefa burocrática;
- estar disponível para conversar.
O National Cancer Institute destaca que familiares e amigos frequentemente ajudam justamente nessas atividades cotidianas e na coordenação do cuidado.
Evite transformar a pessoa apenas em paciente
Depois de um diagnóstico, pode acontecer de todas as conversas começarem com perguntas sobre exames, medicamentos e tratamento.
Mas a pessoa continua tendo interesses, trabalho, família, projetos, gostos, opiniões e vontade de conversar sobre muitos outros assuntos.
Quando houver abertura, continue compartilhando também aspectos comuns da vida.
Conversar sobre uma série, um livro, uma viagem, um acontecimento engraçado ou qualquer assunto cotidiano pode ajudar a preservar vínculos que existiam antes da doença.
O câncer faz parte daquele momento da vida.
Ele não precisa ocupar todas as relações.
Respeite a forma como cada pessoa enfrenta o tratamento
Algumas pessoas gostam de falar bastante sobre aquilo que estão vivendo.
Outras preferem falar pouco.
Há quem queira companhia constante e quem precise de períodos de maior privacidade.
Por isso, evite estabelecer como a pessoa deveria reagir.
Frases como:
“Você precisa ser forte.”
“Tem que pensar positivo.”
“Não pode desanimar.”
podem parecer encorajadoras, mas também podem transmitir a ideia de que determinados sentimentos não são permitidos.
Medo, tristeza, irritação, esperança, alívio e incerteza podem aparecer em diferentes momentos.
O National Cancer Institute ressalta que o câncer pode afetar não apenas fisicamente, mas também emocionalmente a pessoa e aqueles que estão próximos dela.
O que dizer para alguém com câncer de mama?
Não existe uma frase perfeita.
Algumas formas simples e respeitosas de iniciar uma conversa podem ser:
“Estou aqui para você.”
“Quer conversar ou prefere companhia sem falar sobre isso?”
“Tem alguma coisa prática em que eu possa ajudar esta semana?”
“Como você gostaria que eu te ajudasse?”
“Não sei exatamente o que dizer, mas quero estar perto.”
Essas frases não prometem resolver a situação.
Elas comunicam presença.
O que pode ser melhor evitar?
Algumas falas podem gerar desconforto mesmo quando são ditas com boa intenção.
Por exemplo:
- comparar com casos de outras pessoas;
- contar histórias negativas sem que a pessoa tenha pedido;
- garantir que tudo ficará bem;
- cobrar otimismo;
- minimizar o medo;
- dar orientações médicas sem formação;
- dizer que determinada atitude causou o câncer;
- fazer perguntas muito íntimas sem perceber se existe abertura.
Uma boa referência é observar a reação da própria pessoa.
Se houver dúvida, perguntar costuma ser melhor do que presumir.
Respeitar a autonomia também é uma forma de cuidado
É natural que familiares queiram proteger quem está passando pelo tratamento.
Porém, ajudar não significa assumir todas as decisões.
Sempre que possível, a pessoa deve continuar participando de escolhas relacionadas à própria rotina, tratamento e vida cotidiana.
O NCI também orienta que pacientes continuem fazendo aquilo que conseguem realizar e participando das próprias decisões, preservando a autonomia durante o processo.
Apoiar pode significar estar ao lado enquanto a pessoa decide.
A rede de apoio também pode acompanhar consultas?
Pode, desde que a paciente queira.
Ter alguém de confiança em uma consulta pode ajudar a:
- fazer companhia;
- lembrar perguntas;
- anotar orientações;
- ajudar na organização de informações;
- oferecer suporte emocional.
No entanto, a presença deve ser combinada com a pessoa.
Algumas consultas podem envolver assuntos íntimos e ela pode preferir entrar sozinha.
Respeitar essa escolha também é cuidado.
E quando a pessoa não pede ajuda?
Nem sempre é fácil pedir.
Algumas pessoas têm receio de incomodar ou simplesmente não sabem dizer do que precisam.
Em vez de uma frase muito aberta como:
“Qualquer coisa, me avise.”
pode ser mais útil oferecer algo específico:
“Posso levar uma refeição na quarta?”
“Posso te acompanhar na consulta?”
“Quer que eu faça as compras esta semana?”
“Posso buscar as crianças hoje?”
Assim, a pessoa pode simplesmente dizer sim ou não.
Quem cuida também precisa de cuidado
A rede de apoio também pode se sentir cansada, preocupada ou emocionalmente sobrecarregada.
Familiares e cuidadores podem colocar as próprias necessidades em segundo plano para se concentrar na pessoa em tratamento. No entanto, instituições como o National Cancer Institute reforçam que o autocuidado do cuidador também é importante.
Isso pode incluir:
- aceitar ajuda de outras pessoas;
- dividir responsabilidades;
- manter momentos de descanso;
- continuar cuidando da própria saúde;
- conversar sobre aquilo que está sentindo;
- procurar apoio profissional quando necessário.
Cuidar de si não significa abandonar quem precisa de você.
Também é uma forma de sustentar o cuidado ao longo do tempo.
Apoio emocional também pode envolver profissionais
Familiares e amigos são importantes, mas não precisam assumir sozinhos todas as necessidades emocionais que podem surgir durante um tratamento.
Em alguns momentos, a própria paciente ou pessoas próximas podem se beneficiar do acompanhamento de profissionais de saúde mental.
Psicologia e Psiquiatria podem integrar o cuidado quando existe necessidade, respeitando sempre a individualidade de cada pessoa.
Presença pode ser mais valiosa do que a frase perfeita
Quando alguém próximo está vivendo um tratamento de câncer de mama, é compreensível não saber exatamente o que fazer.
Mas uma verdadeira rede de apoio não precisa eliminar todas as dificuldades.
Ela pode simplesmente ajudar a tornar alguns dias um pouco menos pesados.
Ouvir.
Perguntar.
Ajudar.
Respeitar.
E continuar enxergando a pessoa para além do diagnóstico.
Esses pequenos gestos podem representar muito.
Perguntas frequentes (FAQ)
1. Como ajudar uma pessoa com câncer de mama?
Pergunte diretamente como ela gostaria de ser ajudada. Apoio pode envolver escuta, companhia, transporte, refeições, tarefas cotidianas ou simplesmente presença.
2. O que dizer para alguém que acabou de receber o diagnóstico?
Não é necessário encontrar a frase perfeita. Demonstrar disponibilidade e dizer que está presente pode ser mais acolhedor do que tentar oferecer respostas para tudo.
3. Devo falar sobre o câncer ou esperar a pessoa tocar no assunto?
Observe a abertura e pergunte. Algumas pessoas querem conversar bastante, enquanto outras preferem preservar momentos em que o tratamento não seja o assunto principal.
4. É errado tentar animar a pessoa?
Não. Momentos leves podem ser importantes. Porém, é melhor evitar exigir positividade ou minimizar sentimentos difíceis.
5. Posso acompanhar consultas?
Sim, quando a paciente desejar. A companhia pode ajudar na organização das informações e oferecer apoio emocional.
6. Como posso oferecer ajuda prática?
Ofertas específicas costumam facilitar. Por exemplo, oferecer transporte, uma refeição ou ajuda em alguma tarefa pode ser mais fácil de aceitar do que simplesmente dizer “qualquer coisa, me avise”.
7. Quem cuida também pode precisar de ajuda?
Sim. Familiares e cuidadores também podem apresentar cansaço e sobrecarga emocional. Dividir responsabilidades e cuidar da própria saúde é importante.
Outubro Rosa também é sobre estar presente
O Outubro Rosa nos lembra da importância da informação, da prevenção e do cuidado com a saúde da mulher.
Mas também pode ser uma oportunidade para refletir sobre aquilo que acontece ao redor de quem está passando por um diagnóstico e tratamento.
Ser rede de apoio não significa ter todas as respostas.
Às vezes, significa apenas estar verdadeiramente presente.
Na CECLIN, acreditamos em um cuidado que considera a pessoa de forma integral, respeitando suas necessidades físicas, emocionais e individuais.
Conheça os atendimentos da CECLIN
- Referências utilizadas na produção do conteúdo
- Instituto Nacional de Câncer (INCA), Câncer de mama: vamos falar sobre isso?
- Instituto Nacional de Câncer (INCA), Autoestima e qualidade de vida durante o tratamento de câncer de mama
- National Cancer Institute, Caring for the Caregiver
- National Cancer Institute, When Someone You Love Is Being Treated for Cancer